quinta-feira, 7 de maio de 2009

terça-feira, 5 de maio de 2009

Saudade


Tanto me dei à espera
Que o sono é sorte
Não tenho...

Esqueceu-se no tempo
E parece ser causa deixar para lá
Tento a força
Forjar um bem-estar
Que não existe

É dor agora e só
É dó
De mim
Que faço as noites insones
Em pranto quietinho
No escuro mais escuro
Da minha saudade.

Copyright © 2008. Todos os direitos reservados.

Poema triste



Lá se esconderá
A brisa com ar de passatempo
Correndo as folhas pelo vento
E eu no mar sozinho...

Navegas por onde afunda o barco
e o pé na lama se dana a ser do solo
O sal da maresia
Cai rosto abaixo
Na forma dolorida de uma lágrima

Supõe-se um fim
E na coincidência, eu desentendo tudo que me explicaram
Do amargo, mais amargo à boca
Aos olhos...
Ao espírito...

Cintila qualquer chance
Numa vontade que lembra outra vontade
Mas não existe...

Não se fala mais no assunto.

O ar amistoso de um depois...
Dá lugar ao vazio... e vaga só, como sendo o último dos infelizes.

Publicado no Recanto das Letras em 16/11/2008
Código do Texto: T1287376

segunda-feira, 4 de maio de 2009

Enquanto chove...

Monte dessas coisas tuas
Receberão abrigo agora
Na linha abaixo, acima e entre...

Entre portadentro e sente
Todo o sabor do vão-poeta

Vão-poeta: aquele que vai além da poesia que incorpora
Acima das horas
Do tempo real...

Sorte ter – te aos olhos
Sorte tua ainda mais
Pois será ao eterno
A própria eternidade
Lida, relida
Re-sentida
A cada olho nu
Um passeio imenso
E cósmico...

Nudez divina dos olhos!

Descobertos
Dilatados
Prestes a cair no vazio entorpecente
Da mente, renitente e sólida.

Publicado no Recanto das Letras em 04/05/2009
Código do Texto:T1576202
Copyright © 2009.Todos os direitos reservados.

Moça

Híbrido rosto
Que transfere um mistério ou dois...
Lapido na graça da tua sátira cômica
Toda uma ilusão concreta
Construída
Em processo de indução
Teu sexo
Sorri como a graça de Nossa Senhora
Tão mãe, tão mulher
Menina dos meus encantados vislumbres
Te assumo na condição
De amor da minha vida.

Publicado no Recanto das Letras em 04/05/2009
Código do Texto:T1576077
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domingo, 3 de maio de 2009

Doidivanas

(sucinto e cantado)

Soube mesmo naquele instante
Que eu o mesmo não mais seria,
Se já não fora antes,
Tampouco agora viria...

(complexo e vazio)

Sou neste,
a febre e o frio
sou cada inversão do universo

não menos morto que um defunto
nem tão mais vivo que um transeunte.

Vomito tudo num verso
Me submeto à imersão.

Pertenço ao quarto... e ao quinto dos infernos.
Já devia ter previsto.

Talvez o último, talvez o próximo,
Talvez o fim.

Ou nada disto.

A ebulição, o furacão
via...
via de regra, via de fato
um branco e um vagão
pra me levar dessa invenção que beira o holocausto.

Publicado no Recanto das Letras em 03/05/2009
Código do Texto:T1573560
Copyright © 2008. Todos os direitos reservados.

Meio Morto

Meio morto.
Concreto.
Concreto armado
E a poesia se monta.

Verso sobre verso
Rima em desconcerto

EU?

Eu prometo ser menos igual.

Pelo menos enquanto poeta metido.
Poeta de cimento
Cuja dor, mistura-se ao melhor dos sentimentos.

Sendo agora
Nada mais que um encanto
Que vira vapor
Pela cor
do discurso
incitante percurso
que me entorna num caldo
caldo caudaloso
mira minha estrofe
meu texto
meu versejar quase inédito
meu ar de ser iluminado
toda a minha pretensão
será do pó
do pó do concreto
desarmado.

Publicado no Recanto das Letras em 03/05/2009
Código do Texto:T1573545
Copyright © 2009. Todos os direitos reservados.

sexta-feira, 1 de maio de 2009

"Refacto"

Faço o poeta
Crio a dor e incorporo
Pólo à pólo
Meridiando teus paralelos
Visto os teus elos
Doces sutis
Um verniz recobrindo
A faceta
Careta de pau

Samba no pé d’ouvido
Grito do alto das cores
Tipo Caetano a velar
Corpo morto do sábio poeta tropicalista
Deitado na pista
Na pista de dança
Da dança que lança
Perfeito passeio
Enleia no meio
do escuro batendo
e eu já morrendo
de tanto escutar.

Sal do mar nos olhos dela
Que deságua
Noutro mar
Menina indolente
Morre-te de mim
Dana-te de mim
Entrega-te ao mundo
E caia na pista...que dança.

Relança teus discos
Expõe os teus riscos
Mais arriscantes
Como se instantes
Pudessem me ter
Num minuto imenso de eternidade

Enquanto o tarde
Não me encontra...

Publicado no Recanto das Letras em 01/05/2009
Código do texto: T1569973
Copyright © 2009.Todos os direitos reservados.

quinta-feira, 22 de janeiro de 2009

Entre poetas.

Verso qu’imita outro verso
Há alguma coisa entres os poetas
Que gera uma confiança tamanha...

E mira de longe, com os olhos de um mar imenso
Que são teus arco-íris...

Aqui sob este poema
Susto a realidade
E empenho todas as mil vontades
Perdidas pelo temor natural dos homens...

Bendita ela, a poesia
Que há de permitir
Todo o excesso
Que por qualquer coisa outra
Insistimos em manter
Dentro de nós...

publicado no www.recantodasletras.com.br