quinta-feira, 28 de maio de 2009

Tempo.

o tempo todo

o todo
o tempo

silhueta das horas
salvaguarda do discurso perfeito
bem medido
mi-li-me-tra-do.

Todos os pontos
os pingos d'água caindo

o barulho do silêncio
assustadoramente tranquilo.

e daí, temos a medida anacrônica do tempo
a medida dos minutos,das horas...

desmedirei!

Sob as mãos que comportam os dedos
destes dedos que tecem palavras
safra de novos significados
re-medidos, re-sentidos...

abre-te
sob o crivo do poeta.


2009. Todos os direitos reservados.

Ratos

Eis que de um lodo
nasce
este que aos olhos transmite um pudor
cospe na lama
lambe o esgoto
mira no resto um porvir frutuoso

caneletas e canais
canos de pvc
de concreto
o meu teto é o breu noturno
vide o roto
que do resto
renascerei como um rei.


2009.Todos os direitos reservados.

Não sabes,mas eu sigo a tua escrita...

Valor

A vida quanto vale?
Vale a pena
Vale a tinta e o tinteiro
Vale o ponteiro
Vale um relógio.

Cada sal que ao rosto em lágrima cai
Cada riso, sorrido de graça
Cada aperto de mão
Cada mão dada...

A vida o que vale?
Vale um freio
No meio da rua
Vale a lua
Que acende no céu
Vale o sol e o raio...

Vale-estudante
Vale o distante
A imprecisão

A síndrome
A elipse
O eclipse

Vale tudo que não pode
Pode tudo que não vale

Valha-me Deus!

2008.Todos os direitos reservados.

Café expresso

Expresso, quente e espumante
E a poesia corta forte
E queima...
Num dado instante...

E como queima.

Impresso em cor vigente,
preta.
A sorte de tomar um cafezinho ao teu lado
Me faz expressar sob a pressa do gole fervente do café expresso
Todo um sentimento expressivo e repleto...
De expressividade.

Se já é tarde,
Café.
Se é bem cedo,
Café.
Se é de tarde,
Café.
E a fé se toma aos goles.

Maio deste...

Todos os direitos reservados.

quarta-feira, 27 de maio de 2009

Cinza

Busco o fusco dos teus olhos a mirar...
Horizonte, longe deste, mundo vão...
No branco, no tempo, no fim das horas...
Neste cinza morrendo,
Fumaça e pó
São corações fulminando...
Pulmões pulverizando...
E aquela cor que ninguém sente
Eu a sinto...
Tão viva quanto o cinza morto,
Da morte...

11 de janeiro de 2008.Todos os direitos reservados.

Incolor


Sangue da cor do vermelho da boca
Ela tirou de mim
Todo o vermelho.

Esculpiu minha palidez
Agora sou um fantasma.

Caberá ao meu túmulo:
Aqui jazz todo o meu rock’n roll.

Maio 2009, Parnamirim.Todos os direitos reservados.

quarta-feira, 20 de maio de 2009

Antídoto

N’alta exaltação
O deus é inventado

As deusas prolongam o penar
Envaidecidas
com os lirismos em poemas declamados

Estes injetam na veia fantasma do homem
Um alívio de inferioridade que conforta e deixa tudo explicável.

E tudo se explica a partir do inexplicável.

2 de novembro de 2008

terça-feira, 19 de maio de 2009

Pífio

Viria a dizer
Todo o sentir que me impõe
Um contraponto
Um já nem sei...
E nem sei
Para quem escrevo tantos poemas
Dou-me aos dilemas
Qu’invento aos montes
Entreatos
E canções
Entre fatos e bordões
Dum imaginário
Pífio e repleto
De pouca coisa...

Fevereiro de 2009.

Pelo íntimo

Pela brisa afora, brasa queima
Eis o fogo ardente abrasador
Plural de significações
Entre a língua e a palavra
Que fumaça pelo teto solar humano
Vulgo cabeça
Chusma de letras em papel
Quase um véu
Enfeitando o juízo
Como adorno ao pescoço

Dependuro toda a cisma
Em formato de colar
Carrego com gosto no peito
Lá dentro
No pulsar do coração
Que sente
Que eu, ora eu
Só me faço entender
Quando lido pelo íntimo.

Fevereiro de 2009.

quarta-feira, 13 de maio de 2009

"Sonho o poema de arquitetura ideal" - Waly Salomão.

Diálogo.

-Vamos deitar, danilos insones!Os dois!Os três...oxente! Todos vocês!
-aaahhh...nãaaaooo!

e fim.

Negro

Da cor toda morena, muleta, marrom, moreninha ou preta
Do beiço generoso de carne
Cabelo bom de trança no coro do cabelo

Musculatura de guerreiro
Pandeiro, batuque d’Angola
Do banzo nasceu renascida alegria
Como um dia, nova - manhã
Esse oxum que samba ao som do xangô
Esse ardor do sorriso sorridente
Branco dos olhos, branco dos dentes
Clara alma... se acalma em luz

Do chicote ao chicoteio
Preto inda é obscuro
Rima a pobreza no samba do morro
Nos esconsos redutos
Que cultuam deuses e deusas

Sentencio, pois:

Dá negritude ao negro
E o moreninho deixará de ser marrom.


Janeiro de 2009. Todos os direitos reservados.

Enquanto o sono insiste em não me deter...vamos!Vamos comer Caetano!

Bonne nuit!

tuntz...tuntz...tuntz...



criativo ócio
batidan poeta
falta o que fazer
mas não me falta a palavra.

tumtum tumtum tumtum...

Os sapatos.



Bati a porta...e sem mais despedi
Não mais vi quem queria...
Vi o dia renascer
Vi a morte pedir licença e passar
Vi o menino correr descalço
...e calei
Diante da porta, já fechada
Deixei os sapatos como lembrança
E ai de quem os tirar de lá.

Danilo Cândido, 2007.Todos os direitos reservados.

Maio

Imenso e mais imenso e só...
Faltaram-me os dedos a teclar
Pois era só do pensamento ...

Intenso e tenso ao mesmo tempo
um nó...
...em desate

Rebate e bate à porta
E tudo é tão intenso e tenso ao mesmo tempo e só...
Que dou-me ao mesmo nó
Que venha, que me enlace.


Maio de 2009. Todos os direitos reservados.

Noite inteira

Findara a noite inteira
Na brisa beira... de um mar gigante
Varando a sombra meia lua
Pelo mormaço que até de noite se permitia...

E noutro dia
Fazia a luz
O sol do alto mar azul

...


Maio de 2009.Todos os direitos reservados.

Primavera


Primavera das flores que vejo
Num lampejo me ponho num sonho florido
Eu vos digo sem mais...
Rosas hão de virar buquê...
E um dia, saberei do porquê...
Que ainda desconheço...

janeiro de 2008.

Meu poema

Meu poema é vão...
Fosse ele não
Eu seria um lixo
Neste chão desacordado
Insistente e preguiçoso
Mas é vão de amplitude
De veemência...
Não um vazio sem nada.
Meu poema...
...sou eu estupefato e farto da omissão.

março de 2008.

a mansidão.

voo livre voo e solto ar que me recobre as vistas
aquele ar, aquela brisa, oxigena...
leva ao meu inconsciente
toda a verdade fugidia

quero dizer da ordem das coisas minhas
quero dizer da falta que me falta ter
quero dizer da dor que dói e sara logo



a mansidão
a mansidão
a mansidão

mesmo assim repetitivo
mesmo assim sem entender
mesmo assim...

quero o voo livre e solto ar que me recobre as vistas
aquele ar, aquela brisa, que envenena...



Todos os direitos reservados.

segunda-feira, 11 de maio de 2009

quinta-feira, 7 de maio de 2009

Me pediram pra sorrir...

Alegria, alegria!




Abrir-se-ão
E os olhos vão
Portas adentro

Num forte intento à alegria

Todos os dias
Serão sorridos

Bocabertaboca

Céu de todos
Estrelado
E o brilho dela
Brilhará aos olhos

Feito luz de todo dia
Feito um poeta
Em tom de quase...

...alegria, alegria!

© Todos os direitos reservados.

cidade


visãodemundoemorte
asortesoberbaesó
diremosatodoseles
quesomostodosiguais.

e somos...como somos...

na imensidão
hímen-cidade

rompendo os versos das tuas ruas
luzes do alto da torre
o barulho dos carros
da gente toda a correr

deu pra morrer
tantas pessoas

e é tão normal
que chega a ter graça

imundo da farsa mundana
do caos que nos leve à tal lama

já cantava mais um Chico
mais um abismado
com toda perversidade
mais justo eu diria:

per-vers-cidade!

o ócio da desgraça resplandece
oh pátria crua

útero de quem se diz nação.


Publicado no Recanto das Letras em 07/05/2009.Código do Texto: T1581501
Copyright © 2009. Todos os direitos reservados.

Verdade

Mais entorpecente não há.

Há de vir aos olhos meus
Um sorriso lá da boca

E os olhos passarão a sorrir também
Porque deles saem as verdades
Que o resto do corpo
Tenta suprimir.


Publicado no Recanto das Letras em 07/05/2009. Código do Texto:T1581497
Copyright © 2009. Todos os direitos reservados.

"O poeta faz-se vidente através de um longo, imenso e sensato desregramento de todos os sentidos."

Arthur Rimbaud

...

às 16:01...

tão reticente quanto há uma semana...

terça-feira, 5 de maio de 2009

Saudade


Tanto me dei à espera
Que o sono é sorte
Não tenho...

Esqueceu-se no tempo
E parece ser causa deixar para lá
Tento a força
Forjar um bem-estar
Que não existe

É dor agora e só
É dó
De mim
Que faço as noites insones
Em pranto quietinho
No escuro mais escuro
Da minha saudade.

Copyright © 2008. Todos os direitos reservados.

Poema triste



Lá se esconderá
A brisa com ar de passatempo
Correndo as folhas pelo vento
E eu no mar sozinho...

Navegas por onde afunda o barco
e o pé na lama se dana a ser do solo
O sal da maresia
Cai rosto abaixo
Na forma dolorida de uma lágrima

Supõe-se um fim
E na coincidência, eu desentendo tudo que me explicaram
Do amargo, mais amargo à boca
Aos olhos...
Ao espírito...

Cintila qualquer chance
Numa vontade que lembra outra vontade
Mas não existe...

Não se fala mais no assunto.

O ar amistoso de um depois...
Dá lugar ao vazio... e vaga só, como sendo o último dos infelizes.

Publicado no Recanto das Letras em 16/11/2008
Código do Texto: T1287376

segunda-feira, 4 de maio de 2009

Enquanto chove...

Monte dessas coisas tuas
Receberão abrigo agora
Na linha abaixo, acima e entre...

Entre portadentro e sente
Todo o sabor do vão-poeta

Vão-poeta: aquele que vai além da poesia que incorpora
Acima das horas
Do tempo real...

Sorte ter – te aos olhos
Sorte tua ainda mais
Pois será ao eterno
A própria eternidade
Lida, relida
Re-sentida
A cada olho nu
Um passeio imenso
E cósmico...

Nudez divina dos olhos!

Descobertos
Dilatados
Prestes a cair no vazio entorpecente
Da mente, renitente e sólida.

Publicado no Recanto das Letras em 04/05/2009
Código do Texto:T1576202
Copyright © 2009.Todos os direitos reservados.

Moça

Híbrido rosto
Que transfere um mistério ou dois...
Lapido na graça da tua sátira cômica
Toda uma ilusão concreta
Construída
Em processo de indução
Teu sexo
Sorri como a graça de Nossa Senhora
Tão mãe, tão mulher
Menina dos meus encantados vislumbres
Te assumo na condição
De amor da minha vida.

Publicado no Recanto das Letras em 04/05/2009
Código do Texto:T1576077
Copyright © 2008. Todos os direitos reservados.

domingo, 3 de maio de 2009

Doidivanas

(sucinto e cantado)

Soube mesmo naquele instante
Que eu o mesmo não mais seria,
Se já não fora antes,
Tampouco agora viria...

(complexo e vazio)

Sou neste,
a febre e o frio
sou cada inversão do universo

não menos morto que um defunto
nem tão mais vivo que um transeunte.

Vomito tudo num verso
Me submeto à imersão.

Pertenço ao quarto... e ao quinto dos infernos.
Já devia ter previsto.

Talvez o último, talvez o próximo,
Talvez o fim.

Ou nada disto.

A ebulição, o furacão
via...
via de regra, via de fato
um branco e um vagão
pra me levar dessa invenção que beira o holocausto.

Publicado no Recanto das Letras em 03/05/2009
Código do Texto:T1573560
Copyright © 2008. Todos os direitos reservados.

Meio Morto

Meio morto.
Concreto.
Concreto armado
E a poesia se monta.

Verso sobre verso
Rima em desconcerto

EU?

Eu prometo ser menos igual.

Pelo menos enquanto poeta metido.
Poeta de cimento
Cuja dor, mistura-se ao melhor dos sentimentos.

Sendo agora
Nada mais que um encanto
Que vira vapor
Pela cor
do discurso
incitante percurso
que me entorna num caldo
caldo caudaloso
mira minha estrofe
meu texto
meu versejar quase inédito
meu ar de ser iluminado
toda a minha pretensão
será do pó
do pó do concreto
desarmado.

Publicado no Recanto das Letras em 03/05/2009
Código do Texto:T1573545
Copyright © 2009. Todos os direitos reservados.

sexta-feira, 1 de maio de 2009

"Refacto"

Faço o poeta
Crio a dor e incorporo
Pólo à pólo
Meridiando teus paralelos
Visto os teus elos
Doces sutis
Um verniz recobrindo
A faceta
Careta de pau

Samba no pé d’ouvido
Grito do alto das cores
Tipo Caetano a velar
Corpo morto do sábio poeta tropicalista
Deitado na pista
Na pista de dança
Da dança que lança
Perfeito passeio
Enleia no meio
do escuro batendo
e eu já morrendo
de tanto escutar.

Sal do mar nos olhos dela
Que deságua
Noutro mar
Menina indolente
Morre-te de mim
Dana-te de mim
Entrega-te ao mundo
E caia na pista...que dança.

Relança teus discos
Expõe os teus riscos
Mais arriscantes
Como se instantes
Pudessem me ter
Num minuto imenso de eternidade

Enquanto o tarde
Não me encontra...

Publicado no Recanto das Letras em 01/05/2009
Código do texto: T1569973
Copyright © 2009.Todos os direitos reservados.