terça-feira, 14 de agosto de 2007

A crença

Ele me disse
Que vai chover
Que vou morrer
Que posso crer no que eu quiser
Posso crer:
No poeta, no padre, no pastor
No ator da novela
Posso crer no jornal
No aquecimento global
Num sorriso banal
E na verdade...
Na surrealidade
Na sua...
Na mulher nua
No político
No traficante
No livro velho na estante
No virtual
No “Não real”
No desigual
E no porvir...
Nas estrelas como sendo donas do céu
Na carta dita oficial
No policial e na propina
No corpo da menina
Crer eu posso...
No amor e na dor
Na justiça social, tão bonita...no papel
No véu...da noiva
Na uva do vinho
No El niño
No presidente da república
Nos filhos da puta
Na culpa
Na copa do mundo
Em Seu Edmundo da esquina
E no ministro da defesa
...e na musa do carnaval
No sonrisal posso crer
Pra depois na TV
Ver que sou tão igual
E volto a acreditar naquele
Que me disse,
Que vai chover
Que vou morrer
Que posso crer no que eu quiser.

Danilo Cândido. Publicado no Recanto das Letras em 14/08/2007
Código do texto: T606188

2 comentários:

Nobre Epígono disse...

Eu adorei "A Crença". É bem a sua cara, se é que me entende..

Não, não me entende, né?

=\

=)

Foi esse que foi pro jornalzinho do PET? oO

Abraços!

^Ðidacus^ disse...

Nossa!!!!
Tudo lindo demais...
Vou começar a visitar mais seu blog... rsrs
Ate mais poeta!