sábado, 5 de julho de 2008

Quem deixou a porta aberta?



Cobriram os olhos...
...os mesmos que fechariam portanto
Mais um ciclo
Menos um...

Pôr é preciso
A cabeça num saco
Todo o resto
Libertar-se-ia
Numa nudez inofensiva
E proeminente

Estes dentes
Morderiam bocas querentes
Este ventre ventaria
Avoado...
N’avidez inoportuna do ato
Que adrenalina
Que surto
Qu'enfarto
Fosse um quarto...
...não se teria enxergado
Tanta voluptuosidade

Na verdade
Só cabe a este pensamento
A inversão
A re-ação
Contrária e a favor

Cobrirão as vistas
Os gestos...
e o resto
Será liberto
Assim que o pudor se perder.

Danilo Cândido.Publicado no Recanto das Letras em 05/07/2008.Código do texto:T1066790.Todos os direitos reservados.

quinta-feira, 26 de junho de 2008

Calisto

Isto que te põe de pé
Não é senão, um reflexo (contraditoriamente) opaco
De um conformismo travestido de fé
A mesma dicotomia que te leva ao chão
Duro e sujismundo
Tal qual vossa cabeça de porco

Lê-se disperso
E percorre num sopro cuspido
De cansaço e fome
pelos ventos alísios multidimensionados(?)
que perpassam o juízo em um olhar

pelo ar e pelos sons
dispersões em tom de:

“que diabo é isso”?

Isto, é calo na alma
E vergonha...na cara de pau
De um poeta impreciso
Que só sabe pensar.


26 de junho de Dois mil e oito.

sábado, 24 de maio de 2008

Aos poetas partidos!

Vão-se os poetas,
Mas não vão...
Finco na linha do meu novo horizonte
Um sentido que aponte
Pr’outro lado da arte.

Que os céus devem ter acolhido
E reservado um cantinho só deles...
Ou então no inferno mesmo que é mais abrasileirado
E mais fulminante.

Fogo e farpas, falarão entre as harpas e os bordões
Sentam juntos, Salomão e Whitman
Maiakoviski e Alberto
Lambem os dedos
E cospem fumaças...

Num deleite que lembra um prazer quase sexual
Vão versando, e conversam poesias entre eles...
Cada minuto se desdobra
Num e noutro gole solto
Que libera um êxtase de asa-delta
E quando chove por essas bandas
São eles quem atiram os raios.

DANILO CÂNDIDO.

segunda-feira, 19 de maio de 2008

Pela ponte

ergo uma ponte
entre o ego e a canção
ponho os pés no chão farto, que passa
da água à gota em vapor
todo amor que se toma
vai da cama viva
ao pleno coma
até morrer, e renascer...
no meio
da ponte.
que se ergue em canção.

Danilo Cândido.

terça-feira, 22 de abril de 2008

A língua!

A língua!
Carcomida por que come...
...a palavra é um petisco, é um risco que se corre...
Corre e pela boca fala.
Fala e exala a forma perfumada da voz solteira
Livre de qualquer gramaticismo,
Livre dos ismos e das cismas
Viva a língua que saliva liberdade
Viva a mais pura verdade dela
A língua solta, viva ela.
Abaixo os generais-gramaticais!
As regras idiotas
E os idiotas que as escrevem.

Danilo Cândido.2008.

terça-feira, 8 de abril de 2008

“A vida não é uma tela e jamais adquire
o significado estrito
que se deseja imprimir nela.”

# fragmento do poema “Carta aberta a John Ashbery” de Waly Salomão.
Do livro Algaravias - câmara de ecos.

segunda-feira, 7 de abril de 2008

Almas e hífens.

Somos do inexato que a vida é...
É, porque tem que ser assim,
Aceite portanto o que de choro vier
E chore.
Antes que lhe sequem os olhos.

Não permaneço inquieto
Pois eu lavro meu verso por dentro de mim
Assim,
Já dou conta de repassar meu intento
A pelo menos uma encarnação passada.

É do passado...
É do poço fundo...
É do ato falho...
É de quem quer ser...
Mesmo não sendo.

É de todo um mundo...
Que daqui, vejo ao contrário.


Danilo.

sábado, 5 de abril de 2008

Cinema antigo

Sinto-me um cinema antigo.
Assento quadrado sem tanto conforto.

Teto que olha de cima pra baixo.
Luz quase só, que ilumina.
A cortina de algum vermelho furtivo
O abrir dela mesma, que acende uma tela,
Dentro dela...a sétima...a sétima melhor parte do ser.
Que chega num pano de fundo bonito,
Num fim previsível,
Com um quê de eterna felicidade.

Danilo Cândido 2008.

Clandestino

Pelo entortar da linha,
Há de vir um pensamento
Há de vir e eu sinto...
Por esta estrofe mal feita
Ou pela outra debaixo

Vem às escondidas
Num silêncio maduro
Que lembra surdina
Vai criando uma sina
Que tende ao eterno

Pelo entrelaço da rima
Se perdeu o fonema
Só me resta o dilema
De ser um clandestino.

Danilo...

sexta-feira, 4 de abril de 2008

A noite

Quero deter a noite, a noite inteira
Deixa-la mais tarde ainda
Tão tarde e longa que alongará o tempo
E tão somente o vento acompanhará
Quero deitar em cima,
Das estrelas dela,
Do imenso verso que é o céu
Universo, todo o seu infinito agora é reflexo
De toda uma vida...
Se ela não fosse, tão ela, como é...
De fato não sei se eu seria o mesmo.

Danilo Cândido. 2008.